A Prótese Inflável

Um novo tipo de implante de silicone permite aumentar ou diminuir o volume da mama, ao gosto da paciente, após a cirurgia, e sem voltar à mesa de operação.

Cerca de 10% das pacientes que se submetem ao implante de silicone nos seios, se queixam após a cirurgia que “poderia ter aumentado mais um pouquinho” ou “Acho que ficou grande demais”. Só no ano passado somou, no Brasil, 107.000 mulheres, fazendo desta intervenção estética a mais procurada no país.

Para aquelas que se decepcionam com o seu reflexo no espelho ao retirar as ataduras e sutiãs especiais, resta resignar-se a uma imagem que não corresponde ao esperado, ou agendar uma nova cirurgia, em geral, para acrescentar aqueles mililitros que o o médico já havia julgado excessivos, ou, em casos menos numerosos, como já foi dito, retirar um tanto deles. Voltar à mesa de cirurgia, claro, não é simples. Além do risco inerente a qualquer operação, servem como desestímulo o custo adicional da correção e a lembrança da recuperação dolorosa.

Eliminar todos esses três poréns de uma só vez é o objetivo de uma nova prótese ajustável que está chegando ao mercado: depois de colocados, da mesma maneira que na cirurgia tradicional, os implantes de silicone podem ser aumentados ou diminuidos no próprio consultório do médico, sem a necessidade de internação, por meio de uma cânula pela qual se injeta ou extrai solução salina da prótese. A paciente, assim, tem direito a um período de “test drive” (de, no máximo um ano) para decidir qual deve ser o resultado final e desejado.

Preferência à parte, o consenso entre os plásticos é que a principal vantagem da prótese batizda de Spectra, que está sendo trazida ao país pela Johnson & Johnson, consiste na possibilidade de correção da assimetria mamária. Desenvolvido pelo cirurgião americano Hilton Becker, especialista em reconstrução mamária, o implante ajustável foi criado a partir das próteses expansoras utilizadas em mulheres que passaram por algum tipo de mastectomia. O expansor é implantado, nesses casos, para preparar a pele que restou para uma futura cirurgia reconstrutora. O médico injeta, aos poucos, pequenas quantidades de solução salina dentro de uma cápsula para esticar a pele gradualmente, até que ela atinja tamanho suficiente para acomodar o implante definitivo. Os resultados não são plenamente satisfatórios. Por conter pouco ou nenhum gel de silicone, esse tipo de implante está sujeito a ondulações e deformações e não oferece uma consistência natural. Assim que a FDA, a agência de saúde dos EUA, voltou atrás na decisão de proibir o uso do silicone no país, em 2006, Becker passou a testar a nova prótese, que combina solução salina e gel de silicone. O gel mantém a consistência do implante tradicional, já que o silicone representa mais de 90% da estrutura da Spectra. E a solução salina permite alterar em até 30% o volume original da prótese sem que ela se deforme.

É na mesa de cirurgia que o médico define  quantidade de solução salina, injetada por uma cânula no interior de cada prótese, até obter a simetria das mamas e o volume desejado pela paciente. O período durante o qual médico e paciente poderão alterar o volume dos seios depende da forma de remoção da cânula. Na primeira opção, o médico corrige assimetrias e remove as cânulas ainda no centro cirúrgico, o que inviabiliza alterações após a operação. Na segunda versão, a paciente permanece com as pontas das cânulas para fora das mamas, como se fossem drenos, por até duas semanas. Assim, o médico pode injetar ou remover líquido de cada prótese no consultório nesse período. A terceira alternativa permite que as cânulas fiquem escondidas sob a pele para correções por um prazo maior, de até um ano. Uma válvula de silicone na extremidade de cada cânula permite a troca de líquidos com uma seringa. Nas duas últimas versões, as cânulas são retiradas com anestesia local, em consultório. O risco de vazamentos é quase nulo.

 Fonte: VEJA e site http://www2.cirurgiaplastica.org.br

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